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::Raquel Crato Quarta-feira, Março 26, 2003 [+] ::
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Dissonâncias neste Dia Mundial da Poesia...
Queria tanto
festejar-te....
abraçar-te...
sorrir-te...
pintar-te com mais cor ...
ousar escrever-te umas palavras
alinhadas num desalinho...
banhar-me em ti
e beber-te...
...Confundo-me no nevoeiro
destes tempos...
vou ler-te em silêncio...
adiemos este dia....
Gosto-te tanto...
::Raquel Crato Sexta-feira, Março 21, 2003 [+] ::
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::Raquel Crato Quarta-feira, Março 19, 2003 [+] ::
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::Raquel Crato Domingo, Março 09, 2003 [+] ::
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o meu amigo Zebedu escreveu-me há uns tempos estas palavras, escondidas num mail...:
.. Ontem estive
a recordar-te
Aliás,
nunca deixei de o fazer
Não sei se é a ausência da morte
pior do que a presença
de quem afinal não está
E a permanente expectativa
possível
mas insaciada
Estamos preparados,
bem ou mal
para lidar com a morte,
recordar as coisas que aconteceram
e guardá-las como nossas,
com memórias
que mais ou menos
vagarosamente
vamos arrumando
Para o que ninguém nos preparou
foi para o silêncio súbito
para a premente probabilidade
de acontecer
o que não mais vemos acontecer
para reencontrar
o que apesar de possível,
não nos retorna nunca
Sobre as memórias
dos que desapareceram para sempre
vamos descansando
o que somos
vamos crescendo
sobre isso.
Sobre a ausência
dos que por aí andam
vamos esperando
a continuação sempre
vamos mirrando
no que esperamos.
Saber-te aí
e esperar o que não vem
enviar-te correio
que retorna
em linhas brancas.
Sem resposta
as memórias boas
enviezam-se.
Ter alguém
e não ter,
cúmplice
que me leve a escrever
também para mim.
Ter alguém
e não ter,
para quem escrevo
com o que sou
que me obrigue
a ser quem sou
que me puxe
para fora.
O saber que está lá
e já não está
oscilante
é como ser
e já não ser.
E o ter
mas nunca ter
tem um nome:
Dessassossego
Respondi-lhe :
.....eu recordo-te quase todos os dias...com a sensação de ter falhado.....
Sabes....o silêncio não cala e a morte não apaga!
O silêncio que falas
não é mais que uma ternura sentida
de um desejo
de falar
partilhar
de construir memórias.
A minha ausência
não é mais que uma presença ausente
que nada num mar revolto
onde a espuma das ondas
ampara a saudade
e a vontade contida
de contar segredos interditos...
O correio não retorna
mas as linhas não estão em branco.
Ler o teu Desassossego
é saber que nunca me enganei,
e que a dúvida do que és
nunca se levantou.
Ler o teu Desassossego
é ficar sossegada,
é saber que o meu não é uma ilha
é soltar um sorriso entre os olhos húmidos
é saber-te aí,
coerente com a imagem que de ti guardo.
(porque há certezas neste mundo
que nos ajudam a revirar as incertezas)
e escrever
com humildade
algo que me assola:
preciso de Sossegar
::Raquel Crato Quarta-feira, Março 05, 2003 [+] ::
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