:: percepções do meu olhar... ::

nada mais do que crónicas, palavras,poemas que vou criando aqui...ao sabor da vida que vou vivendo
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Comments: :: Terça-feira, Dezembro 31, 2002 ::

ODE

Para ser grande, sê inteiro: nada
Teu exagera ou exclui.
Sê todo em cada coisa. Põe quanto és
No mínimo que fazes,
Assim em cada lago a lua toda
Brilha, porque alta vive.



Ricardo Reis
Ficções de Interlúdio

:: RAQUEL CRATO Terça-feira, Dezembro 31, 2002 [+] ::
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Comments: :: Domingo, Dezembro 29, 2002 ::
OS AMIGOS

Os amigos amei
Despido de ternura
Fatigada;
Uns iam,outros vinham;
A nenhum perguntava
Porque partia,
porque ficava
era pouco o que tinha,
pouco o que dava,
mas também só queria
partilhar
a sede da alegria-
por mais amarga.


Eugénio de Andrade
:: RAQUEL CRATO Domingo, Dezembro 29, 2002 [+] ::
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CHICHORRO

mais um Amigo...e um dos pintores que mais gosto. Sou uma pessoa com sorte..:)
Todos os dias trocamos umas palavras, todos os dias tenho de enviar-lhe um beijo embrulhado numa cor....;todos os dias recebo uma palavra bonita...
Olhar para as telas dele é entrar num mundo de sorrisos com cor, com vida, com amor
:: RAQUEL CRATO Domingo, Dezembro 29, 2002 [+] ::
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Comments: :: Sábado, Dezembro 28, 2002 ::

...........(...) ....hoje quero sonhar em azul....só azul: cobalto, mar, céu...qualquer um...todos....mas todos azuis;)

:: RAQUEL CRATO Sábado, Dezembro 28, 2002 [+] ::
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Comments: :: Sexta-feira, Dezembro 27, 2002 ::

Localizar
na frágil espessura
do tempo,
que a linguagem
pôs
em vibração
o ponto morto
onde a velocidade
se fractura
e aí
determinar
com exactidão
o foco
do silêncio.


Carlos de Oliveira
:: RAQUEL CRATO Sexta-feira, Dezembro 27, 2002 [+] ::
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Comments: :: Quinta-feira, Dezembro 26, 2002 ::

Varandins

Os varandins são horizontes que servem para sonhar
no tempo que corre,
na percepção da vida,
como o mar que envolve o mundo,
como a ternura que abraça a vida
de quem sente,
de quem chora e ri
ao longo do tempo
que corre como um rio gritando em silêncio.

:: RAQUEL CRATO Quinta-feira, Dezembro 26, 2002 [+] ::
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Comments: :: Segunda-feira, Dezembro 23, 2002 ::
um grande amigo meu...de há muitos anos.....passou há dias muito rápidamente pelo icq ....e falámos os dois a correr ...e do tempo...:

Que tempo é este que não sabemos do tempo nem temos tempo

Que tempo é este que andamos sem andar paramos sem parar

Falamos sem dizer
Escutamos sem ouvir


Nesta correria de diálogo.....quase a despedirmos-nos...ele rematou:

Afinal, é a memória do gestos, espaço e do tempo, é o tempo do nosso tempo...
Adorava receber um envelope com a memoria do teu tempo onde as palavras desenham sonhos e todas as frases desenham a cõr e a ternura que encantam todo o teu ser e toda a alma dos teus gestos...


são coisas destas que nos remetem para silêncios..., nos deixam com os olhos turvos....e dão sentido à nossa Vida! E num pequeno... (mas tão grande) ... momento.....;)





:: RAQUEL CRATO Segunda-feira, Dezembro 23, 2002 [+] ::
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Comments: :: Sexta-feira, Dezembro 20, 2002 ::
Hoje não encontrei palavras...
...só silêncios...

e no meio deles...
soltei...:


um sorriso....
um abraço...
um olhar...
e um pensamento:

sou feliz : Tu Existes!

:: RAQUEL CRATO Sexta-feira, Dezembro 20, 2002 [+] ::
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Comments: :: Terça-feira, Dezembro 10, 2002 ::
Lido bem com silêncios partilhados....

Fico á toa com silêncios impostos....

O vazio é um espaço que me incomoda....





:: RAQUEL CRATO Terça-feira, Dezembro 10, 2002 [+] ::
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Comments: :: Sexta-feira, Dezembro 06, 2002 ::
Um cais..onde ....te procuro...

desenho do meu amigo RaeleaR
:: RAQUEL CRATO Sexta-feira, Dezembro 06, 2002 [+] ::
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Comments: :: Quinta-feira, Dezembro 05, 2002 ::
Procurei-te por aí

Hoje saí e procurei-te por aí...
Entre as pessoas que passavam nos passeios
Nos desenhos incertos da calçada
Entre as caras que paravam ao lado do meu carro
Nas vozes das músicas que tocavam
Naquela avenida onde os pombos teimam ser estátuas em cima dos semáforos
No pau de canela que mexia o meu café
Por entre a multidão que dançava tango comigo
À porta da drogaria entre vassouras, cordas e tachos
Por entre as pessoas que caminhavam de cascol vermelho
Dentro da livraria, na estante de poesia
Na contra capa dos cds que peguei
No sorriso simpático e contagiante do caixa
Na farmácia no meio dos frascos parecidos com os de pickles
Nos cheiros novos que na perfumaria fizeram questão de me intoxicar
No olhar que atravessou uma montra em meu alcance...
Na senhora simpática que me amanhou o pargo selvagem...
Por detrás do rapaz que conduzia uma tonelada de caixotes e se supreendeu por lhe dar passagem...
Nas vozes que saiam quando atendia o telemóvel
Nas mensagens que chegavam
Procurei-te o dia todo ...
Com calma
Com silêncio
Com sorrisos
Com ternura
Afinal saiste comigo...

Raquel Crato
4 Dez 2002

:: RAQUEL CRATO Quinta-feira, Dezembro 05, 2002 [+] ::
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Comments: :: Quarta-feira, Dezembro 04, 2002 ::

Os olhos do poeta

O poeta tem olhos de água para reflectirem todas as cores do mundo,
e as formas e as proporções exactas, mesmo das coisas que os sábios desconhecem.
Em seu olhar estão as distâncias sem mistério que há entre as estrelas,
e estão as estrelas luzindo na penumbra dos bairros da miséria,
com as silhuetas escuras dos meninos vadios esguedelhados ao vento.
Em seu olhar estão as neves eternas dos Himalaias vencidos
e as rugas maceradas das mães que perderam os filhos na luta entre as pátrias
e o movimento ululante das cidades marítimas onde se falam todas as línguas da terra
e o gesto desolado dos homens que voltam ao lar com as mãos vazias e calejadas
e a luz do deserto incandescente e trémula, e os gestos dos pólos, brancos, brancos,
e a sombra das pálpebras sobre o rosto das noivas que não noivaram
e os tesouros dos oceanos desvendados maravilhando com contos-de-fada à hora da infância
e os trapos negros das mulheres dos pescadores esvoaçando como bandeiras aflitas
e correndo pela costa de mãos jogadas pró mar amaldiçoando a tempestade:
- todas as cores, todas as formas do mundo se agitam e gritam nos olhos do poeta.
Do seu olhar, que é um farol erguido no alto de um promontório,
sai uma estrela voando nas trevas
tocando de esperança o coração dos homens de todas as latitudes.
E os dias claros, inundados de vida, perdem o brilho nos olhos do poeta
que escreve poemas de revolta com tinta de sol na noite de angústia que pesa no mundo.

Manuel da Fonseca, Poemas completos


tela de Monet
:: RAQUEL CRATO Quarta-feira, Dezembro 04, 2002 [+] ::
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